Nos dias de hoje me sinto tão aviltado como na época em que escrevi este poema. A grande diferença é que desta vez acho que a batalha não vale a pena, já que o que existe para ser recuperado nunca deixou de estar dentro de mim. Existem pessoas que não podem ser contrariadas e é por causa deste tipo de gente que o mundo não tem chance de ser um lugar melhor para se viver.
ANGELUS DIALETICORUM
(Urbano Leonel Sant' Anna - 5 agosto 2008)
Quando eu
Há mil milênios
Pousei o suave éter de meus pés
No árido chão
Da Terra primordial
Era exatamente assim
Como tantos outros antes de mim
Impecavelmente puro e perfeito,
A essência do céu e do sol,
Ignorava o bem
Pois que não sabia o mal
Quando a noite dominou suprema
Há uma centena de séculos
Não sabia o que esperar
Brilhando ostensivamente
Solitária chama na escuridão
Foi exatamente assim
Como tantos outros antes de mim
As hordas me odiaram
Tentaram me assassinar
Quando me arrancaram o primeiro pedaço
Conheci a dor
Precisei aprender a reagir
Antes que se fosse o segundo
A batalha foi interminável
E eu quase sucumbi
Nem ouso explicar
A que custo não me levaram
Esquartejado
Aos poucos
Pedaço por pedaço
Por sorte, o mal
Anda de braços com a covardia
E quando as hordas
Começaram a sangrar
E a tombar
Fugiram
Deixando os que jaziam
No chão embebido em sangue e luz
Mas não foi pouco cruel
O castigo que me aplicaram
Mutilado
Abismado
Aniquilado
Lancei mão de uma miríade
De retalhos de demônios
Dos milhares que atapetavam
Uma grande extensão da planície
No breu da escuridão
E lutei para me recompor
E urrei ao me reerguer

Não sei qual foi a dor maior
A dos golpes
Que antes me dilaceraram
Ou a do horror da reconstrução
De meu corpo
Rejeitando o mal
Com o tempo,
A dor cedeu
Bem como a rejeição
E, felizmente,
Sobrevivi
Hoje posso afirmar
Sem pecar por exagero
Que eu finalmente evoluí
Sou exatamente assim
Como tantos outros antes de mim
Aprendi a comer carne
Mato para o meu sustento
E pela minha sobrevivência
E pela vida dos meus
Sou plenamente capaz
Capaz de todo o bem
Capaz do maior mal
Uma horrenda criatura
Entre a luz e a escuridão
Aprendendo com as feridas
Entre os erros e os acertos
Cuja única barreira
Para um bem maior
Cujo único empecilho
Para a destruição final
É a minha maior capacidade:
A liberdade de escolher
(A César o que é de César: imagem de bbb.blogs.sapo.pt e, no meio do poema, imagem de beautiful.blogs.sapo.pt) Cuidado! Plágio é crime previsto no Código Penal. As penas por violação ao direito autoral chegam a 4 anos de reclusão mais multa. Ao plagiador também pode ser imputado o crime de falsidade ideológica. Eu não costumo ser condescendente com este tipo de atitude.







































Não somos mercadorias que se podem vender a qualquer preço. Não somos menos, nem mais que qualquer alguém. Não somos desprezíveis, temos alma. Não somos vazios, existe um coração que bate, que sente, que chora, que vence. Não somos pequenos, mas grandes demais a certas pessoas que não suportam perder. Você, meu Menino amigo, é de um enorme valor, é mais que alguém, tem uma alma linda e um coração inigualável, e acima de tudo, é um vencedor de todas as formas possíveis que eu conheço.
Beijo no coração cheio de ternura.
Puxa, Gleni!
Que alegria ter uma pessoa tão especial como tu por perto. Muito obrigado pelas palavras, minha querida!
Beijão!
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Abraços!
Urbano